sexta-feira, 6 de maio de 2011

A carta dos marinheiros

Rio de Janeiro, 22 de novembro de 1910

Il.mo e Ex.mo Sr. Presidente da República Brasileira

Cumpre-nos comunicar a V. Ex.a, como Chefe da Nação brasileira:

Nós, marinheiros, cidadãos brasileiros e republicanos, não podendo mais suportar a escravidão na Marinha brasileira, a falta de proteção que a Pátria nos dá; e até então não nos chegou; rompemos o negro véu que nos cobria aos olhos do patriótico e enganado povo.

Achando-se todos os navios em nosso poder, tendo a seu bordo prisioneiros todos os oficiais,
os quais têm sido os causadores da Marinha brasileira não ser grandiosa, porque durante vinte anos de República ainda não foi bastante para tratar-nos como cidadãos fardados em defesa da Pátria, mandamos esta honrada mensagem para que V. Ex.a faça aos marinheiros brasileiros possuirmos os direitos sagrados que as leis da República nos facilita, acabando com a desordem e nos dando outros gozos que venham engrandecer a Marinha brasileira; bem assim como: retirar os oficiais incompetentes e indignos de servir à Nação brasileira. Reformar o código imoral e vergonhoso que nos rege, a fim de que desapareça a chibata, o bolo e outros castigos semelhantes; aumentar o nosso soldo pelos últimos planos do ilustre Senador José Carlos de Carvalho, educar os marinheiros que não têm competência para vestir a orgulhosa farda, mandar pôr em vigor a tabela de serviço diário, que a acompanha.

Tem V. Ex.a o prazo de 12 horas para mandar-nos a resposta satisfatória, sob pena de ver a Pátria aniquilada.

Bordo do encouraçado São Paulo, em 22 de novembro de 1910.

Nota: Não poderá ser interrompida a ida e volta do mensageiro.


O Congresso e a Marinha não conseguiam concordar com uma reposta adequada para ser dada aos revoltosos, pois a subversão da hierarquia militar é um dos principais crimes nas Forças Armadas.

Isso demonstra ainda mais o quão infundada era a petição feita pelos marujos de patentes mais baixas, que como foi explicito com freqüência cometiam infrações e mesmo castigados reincidiam.

Além disso eram previsto os castigos eregulamentados nas normas da marinha:
"Para as faltas leves, prisão a ferro na solitária, por um a cinco dias, a pão e água; faltas leves repetidas, idem, por seis dias, no mínimo; faltas graves, vinte e cinco chibatadas, no mínimo."

Alves de Freitas Neto, José e Ricardo Tasinafo, Célio; História Geral e do Brasil

Um comentário:

  1. "O Congresso e a Marinha não conseguiam concordar com uma reposta adequada para ser dada aos revoltosos, pois a subversão da hierarquia militar é um dos principais crimes nas Forças Armadas.

    Isso demonstra ainda mais o quão infundada era a petição feita pelos marujos de patentes mais baixas, que como foi explicito com freqüência cometiam infrações e mesmo castigados reincidiam."


    Concordo plenamente. Acham-se no dever de reclamar dos castigos se, além de delinquentes, são infratores da ordem e da regra!

    ResponderExcluir