quinta-feira, 5 de maio de 2011

O Mestre Sala dos Mares João Bosco

Há muito tempo nas águas
Da guanabara
O dragão no mar reapareceu
Na figura de um bravo 
Feiticeiro 
A quem a história
Não esqueceu
Conhecido como
Navegante negro
Tinha a dignidade de um 
Mestre-sala
E ao acenar pelo mar
Na alegria das regatas
Foi saudado no porto
Pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por
Batalhões de mulatas
Rubras cascatas jorravam
Das costas
Dos santos entre cantos 
E chibatas
Inundando o coração,
Do pessoal do porão 
Que a exemplo do feiticeiro 
Gritava então
Glória aos piratas, às
Mulatas, às sereias
Glória à farofa, à cachaça,
Às baleias
Glórias a todas as lutas
Inglórias
Que através da
Nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o navegante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais.

Será que é certo  homenagear um indivíduo que desrespeitou  as regras mesmo tendo total consciência das consequências de seus atos? Será que esse tal de Marcelino Rodrigues merece mesmo a compaixão de alguém? Levar cachaça para dentro de um navio da marinha brasileira e ainda agredir um membro da tripulação são violações tão graves que 250 chibatadas não servem como punição. Alguém que confunde um navio com um boteco não merece qualquer tipo de homenagem, quem dirá uma cujas verdades estão omitidas à seu favor. 

3 comentários:

  1. Uma homenagem muito justa, afinal João Candido fez história no Brasil e apesar dessa letra estar censurada por causa da ditadura, algum tempo depois ele foi reconhecido como deveria. Que tipo de ser humano merece ser castigado com 250 chibatadas? Assumimos que ele errou levando uma garrafa de cachaça, mas mesmo assim castigos físicos não serão aceitos mais, aguardem!

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  2. Uma homenagem mais que marecida para um homem que lutou pelo fim dos maus tratos aos marinheiros que tanto sofriam injustamente com os crueis castigos atribidos a eles. João Candido foi um homem que nao se calou ou se acomodou com a injusta situação, mas guiou e incentivou todos a buscarem melhores condições de trabalho e acima de tudo, respeito. Ele merece sem dúvida alguma essa e muitas homenagens!

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  3. Me desculpe senhor Icógnata

    Posso estar me equivocando, mas mesmo assim exporei minha opinião. Penso que o senhor confundiu-se ao apontar Marcelino Rodrigues como o homenageado desta música, e lamentavelmente lhe contradigo e instruiu-lhe informando que, esta letra vangloria as formosas atitudes de João Cândido contra o contraditório, incrédulo e desumano sistema que compunha a antiga marinha.
    E sim, este indivíduo, João Cândido, com toda certeza merece uma homenagem, e muito mais do que isto, levando em conta a grande influência social que este revolto produziu naquela época. E palavras não conseguem representar os intensos gestos e expressões que Cândido expôs, visando o aprimoramento da marinha brasileira, em que diz respeito ás questões sociais.
    E sobre a atitude de Marcelino, ela nem se compara às opressivas e cruéis açoitadas dadas pelos arrogantes e inescrupulosos "superiores", que violavam a ética e a moral dos seus companheiros, aqueles que buscam na marinha, ideais compatíveis, a ordem e paz no Brasil.
    A dor, a pressão e o medo eram tantos, que o humilde marinheiro Marcelino teve que utilizar de destilados com o intuito de alterar seus sentidos e pensamentos para que pudesse se conter em meio a tanta repressão.
    Me aflinge perceber que tais pensamentos retrógados puderam ser difundidos em uma sociedade progressista como esta, a qual cidadãos não conseguem reconhecer atitudes renovadoras de seus companheiros, apenas pelo fato de irem contra os poderosos da época.

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